Tuesday, February 09, 2010
casas eléctricas pós-1945
ouve-me, Thomas
Alva Edison, discí-
pulo oblíquo da
ciência inexperimen-
tada: acorda(-me).
Posted at 02:22 pm by
groze
Janela
electric houses post 1945
my body is an eye gazing
deeply into some sort of
infinity. Nikola Tesla is dead
and light bulbs as we know
them are likely to follow.
Posted at 02:19 pm by
groze
Janela
Monday, February 08, 2010
ternos abraços e a inexistência de um deus vivo
restam os cavalos mortos, diz Magritte.
nesta sala uma mulher toca piano - talvez
não seja uma mulher, nesta sala existe um
piano e umas mãos (de mulher?) tocam
nas suas teclas. se tocam mãos nas teclas,
tocam pés nos pedais, diz Magritte, esta imagem
poética das mãos, meu caro, esta imagem...
a Für Elise é boa para treinar os pedais, no piano,
diz Magritte, ainda, uma terceira vez, antes de se
desvanecer, depois fico sozinho com um piano
onde ninguém toca, e, ao de leve, afasto-me para onde
ainda hajam peixes.
Posted at 04:24 pm by
groze
Janela
Tuesday, February 02, 2010
encontrei Arquimedes numa banheira de água
quente e tinha os pulsos cortados; pensei
"que desperdício, que excesso de romantismo!",
e depois gritei "Eureka!"
ao lado, um bilhete dizia que "Todas as dúvidas
do mundo não apagam a minha existência. A."
e o A. seria de Arquimedes. o volume de água
deslocado era igual ao do volume do cadáver
dentro da banheira. Arquimedes, uma testa morta,
e a minha tartaruga passeava pelos canteiros,
provavelmente alheia ao facto de
ser.
Posted at 03:21 am by
groze
Janela
Sunday, January 31, 2010
my face is beginning to mirror a
certain nothingness...
birds chirp in the morning.
constellations form and die.
my hand slows down,
i piss on a pile of junk,
the world looks every
day more like a good
place to die in,
wouldn't you agree?
Posted at 01:41 am by
groze
Janela
vem-me buscar, que adormeci
numa música de rios de estrelas...
é tarde para respirar,
estamos todos feridos dos copos
de whisky que partimos, pelo chão,
pela vida fora.
vem-me encontrar numa esquina,
pode ser que ainda não
esteja tudo perdido,
pode ser que ainda o meu
pescoço nos teus lábios,
terça-feira parece-me bem.
podes, terça à noite?
os meus braços só podem a
partir das dezanove.
Posted at 01:28 am by
groze
Janela
Tuesday, January 26, 2010
(ainda perdemos tempo a tentar perceber a luz do dia,
os olhos tão pouco acostumados quando dormimos
muito, quando dormimos pouco. pequenos restos mitológicos,
nós, árvores cansadas, animais. ainda perdemos tempo
a tentar perceber a luz, ainda perdemos tempo a tentar
perceber os livros, de pernas cruzadas a beber
whisky e a comer caixas de chocolates que sobram
sempre do natal. mitos, restos de mitos, sentados num café
com o que sobra do natal, mais ou menos tristes, a tentar
perceber a luz, a tentar perceber isto, ou,
enfim,
entendes?)
Posted at 03:57 pm by
groze
Janela
Sunday, January 10, 2010
a ver um autocarro desaparecer numa curva,
meu amor, guinchando de engrenagens,
de ferrugem, de suspensões,
cheio de gente que amanhã vai aparecer
na necrologia, e nós a voltar cada um para sua
casa no fim, indiferentes ao destino dos outros,
a teoria é um camelo no deserto pisando espinhos,
o sol queima-lhe os olhos e as pálpebras mas ele
nunca se queixa, toda a gente a morrer uma morte
horrível (e haverá isso de uma morte agradável?, morrer
é sempre morrer, é sempre deixar de ser). nós
só nos largamos e isso já me dói tanto, mas não
morremos, não deixámos de existir, temos gatos
em casa, para alimentar, e filmes de terror
italianos para ver na cama, enquanto a única coisa
em que pensamos é em acertar com o cigarro
no cinzeiro, para amanhã não termos buracos
nos lençóis.
Posted at 03:21 am by
groze
Janela
Tuesday, January 05, 2010
cheguei vivo a casa,
a menos que tenha morrido pelo
caminho, sem me dar conta.
Posted at 04:05 am by
groze
Janela
Sunday, January 03, 2010
amo-te como se fosse uma
estrela que morre.
Posted at 08:07 pm by
groze
Janela