lonely 1



Sunday, September 16, 2012
ressuscitar

uma vez que a Blog Drive fez o favor de impossibilitar, de vez, o uso de acentos graficos e pontuacao estranhos a toda e qualquer lingua, que nao o ingles, este blog tera continuidade aqui. espero que aqueles (ainda que, presumo, poucos) que me acompanhavam me acompanhem tambem nesta migracao. imensamente grato por estes anos todos, por mais de mil artigos/poemas/textos/etc, despeco-me com um ate breve. ate muito breve.

N.B.: para todos os que nao perceberam que o aqui era clicavel e reencaminhava automaticamente para o novo endereco, deixo o dito por extenso: lonely-gigolo.blogspot.com.

Posted at 01:42 am by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Wednesday, September 12, 2012
one, three, two, four

my name bears no magic,
no vineyard to it, no specific
grammar.

it's easier to write about sad
things, derelict buildings,
burnt wood, old cabinets.

my name holds no place in
it for poetry, for ladders.

Posted at 03:27 pm by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Thursday, September 06, 2012
montanha russa

doi uma espinha no fundo da boca
onde a lingua nao chega e onde as
pessoas nao tocam nem quando
te amo tanto a garganta com a ponta
do sexo e te engasgas com aquilo que
dizes serem "estrelas" mas, meu amor,
e meita.

estrelas sao entidades mortas que
vao chegando atrasadas aos nossos
olhos, neste planeta.

Posted at 03:30 am by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Friday, August 03, 2012
quo vadis

ouvimos na qualidade de estrangeiros
logo não falantes nativos da língua
a explicação para fazer aquela actividade
no parque e somos os únicos dois que
na fotografia ficaram com a cabeça
inclinada para a frente quase numa
acção de proximidade para atenção
maior contudo a fotografia não
nos acompanhou quando decidimos
não perder tempo com nada daquelas
coisas tão modernas de actividades no
parque no meio da cidade e decidimos
ir antes ao café da esquina mais próxima
beber chá e vinho tinto e falar do pôr do
sol e dos teus cabelos e dos teus lábios.

Posted at 01:57 am by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Thursday, August 02, 2012
espero que alguém traga um cão para aqui

"quando, daqui a dois anos, olhares
para mim e para as coisas que disse,
para as coisas que dissémos, que
escrevemos, que jurámos, e em nada
disso encontrares o sangue de agora,
este animal selvagem que corre como
flechas pelo meio das árvores e dos
ossos, promete que não me odeias,
que houve alguma coisa nossa e que
isso merece um lugar na alma, um
magnetismo na alma, que nunca se
desligue, que nunca se apague. houve
aqueles sítios e aquelas mãos foram as
nossas, ainda vão sendo as nossas.
quando o nosso amor não existir mais
e olharmos para aqui é possível que
não vejamos nada. mas, por favor,
meu amor, quando olharmos para aqui
ainda um bocado de nós vai estar
a restar onde é isto. não me feches os
olhos."

não me deixes
um bilhete igual
a este.

Posted at 09:44 pm by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Tuesday, July 31, 2012
quadrado

porque encalhou este amor
que estava no centro?
qual a resposta possível
a uma pergunta complicada?

não me apetece pensar
numa resposta para isso,
não me apetece pensar
numa pergunta para isso.

Posted at 02:09 am by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Friday, July 27, 2012
baptismo de um albatroz de cinza

S.

as pernas ardem um pouco mais abaixo dos
joelhos conforme os teus lábios férteis sussurram
ar contra o tórax destruído. como um tecto
que ruiu, podem-se ver e tocar pequenos
corpos estelares atrás dos ossos, furúnculos,
animais estrangeiros com unhas luminosas,
a dançar ao redor da árvore central do corpo,
a fazer fogueiras rente à coluna vertebral.
os lábios no teu rosto pela primeira vez em
alguém apenas uma ferida feminina, com cheiro
de estames violeta, de nuvens enroladas em
vento azulado. tão teus, os lábios, entreabertos,
com o cheiro, o vazio do cheiro, e as minhas
pernas ardem, o meu fígado, os meus dentes,
as coisas mortas de mim, cabelos, unhas, isso
que está morto mas sobrevive quando morremos
e cresce um pouco, ainda. as tuas pernas ardem
um pouco ainda em torno da minha cabeça e
apertam-me e sufocam-me e quando me lembro
do teu nome não penso em princesas, penso em
serpentes com penugem que esmagam, que
constringem antes de destruirem as presas por
afogamento. as tuas pernas são anacondas que
ardem num amor que não acaba, mas os teus lábios
entreabertos não cheiram a nada remotamente ofídio.

Posted at 03:21 am by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Wednesday, July 25, 2012
onde é que está a cédula do bicho?

onde os dentes roxos
encostam o esmalte
nas pernas das mulheres
velhas que passam pelas
ruas sem ver que

a construção desmoronou
e onde antigamente era
uma oficina de mármores
e granitos agora são paredes
com placas e sombras

onde os dedos mas mais
que os dedos as pontas
dos dedos são de pais
que levam os filhos para
casas de banho públicas
e gemem em cubículos
ao lado de outros homens
que cagam sem saber.

Posted at 07:45 pm by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Monday, July 23, 2012
urze

"a logofagia não existe, é um mito, uma ficção."
em mundos diferentes, ou seja, num universo
linguístico que é o teu, que envolve desvios e
teorias mais científicas do que é a cabeça, o
cérebro, de como funcionam as emoções, de
como se explicam, talvez exista a logofagia,
talvez a beleza seja só um gatilho muito
concreto e básico de emoções, de hormonas,
qualquer outra coisa, que tenha a ver com
curvas, com ácidos, com sinapses. no entanto,
sempre que falas, sempre que ris, sempre
que tocas e acaricias e páras no supermercado
porque uma garrafa fazia de contrapeso num
caixote e ele cai para trás da prateleira, isso
tudo é beleza, isso tudo é capaz de salvar todos
os animais que morrem injustamente às
mãos dos homens e das doenças.

Posted at 08:48 pm by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

Thursday, July 19, 2012
loaded guns

fora uma flor e seria
um cardo mas tu
eras uma orquídea
ou pelo menos a tua
cona uma camélia
húmida. eu arranho
contra a pele.

Posted at 08:32 pm by pedro tiago
impressoes (digitais ou nao)  

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lonely 2

…lonely gigolo…



Julia Kent - Idlewild



(a imagem do topo e a pequena, de lado, são cortesia de Edgar Libório, usadas com permissão)

   

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O Brilho das Cinzas

A língua pode renascer em qualquer altura.
O vento agita os ramos altos do cipreste;
no escuro mármore lê-se ainda o meu nome.
Morto, mas subitamente mais vivo,
ouço os vastos barulhos terrestres e o
anúncio subterrâneo da próxima catástrofe.
Rindo-me para os bichos de quem sou a fria
morada, abro e fecho os ossos do rosto
num esgar de gozo. «Em breve o meu corpo
regressará à superfície. Encontrar-me-eis,
ó gente humana, nas idênticas circunstâncias
do Juízo.» Nessa noite, os coveiros notaram
uma insólita agitação no fundo da terra.

Nuno Júdice, in O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1972)


Alguns links:

Atom Fims
Bungle Fever
Charlie "Yardbird" Parker
Dario Mitidieri
Dead Combo
Edgar Libório
Entrance to The Neitherworld
Fat-pie
Gogol Bordello
Festival de Jazz de Valado dos Frades
João Pombeiro
John Coltrane
John Howe
JP Simões
The Kills
Mark Ryden
Menomena
Miles Davis
Morphine (fanzine)
Peter Gric
The Encyclopedia Of Arda
The Tim Burton Collective
The World Of Stainboy

Blog links:

"borderline bipolar"
A Caixa
A liga de Murphy
arco-iris
Atravessando o Inverno
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dawning dusk
diário de um coma
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