lonely 1



Friday, July 27, 2012
baptismo de um albatroz de cinza

S.

as pernas ardem um pouco mais abaixo dos
joelhos conforme os teus lábios férteis sussurram
ar contra o tórax destruído. como um tecto
que ruiu, podem-se ver e tocar pequenos
corpos estelares atrás dos ossos, furúnculos,
animais estrangeiros com unhas luminosas,
a dançar ao redor da árvore central do corpo,
a fazer fogueiras rente à coluna vertebral.
os lábios no teu rosto pela primeira vez em
alguém apenas uma ferida feminina, com cheiro
de estames violeta, de nuvens enroladas em
vento azulado. tão teus, os lábios, entreabertos,
com o cheiro, o vazio do cheiro, e as minhas
pernas ardem, o meu fígado, os meus dentes,
as coisas mortas de mim, cabelos, unhas, isso
que está morto mas sobrevive quando morremos
e cresce um pouco, ainda. as tuas pernas ardem
um pouco ainda em torno da minha cabeça e
apertam-me e sufocam-me e quando me lembro
do teu nome não penso em princesas, penso em
serpentes com penugem que esmagam, que
constringem antes de destruirem as presas por
afogamento. as tuas pernas são anacondas que
ardem num amor que não acaba, mas os teus lábios
entreabertos não cheiram a nada remotamente ofídio.

Posted at 03:21 am by pedro tiago

 

Leave a Comment:

Name


Homepage (optional)


Comments




Previous Entry Home Next Entry


lonely 2

…lonely gigolo…



Julia Kent - Idlewild



(a imagem do topo e a pequena, de lado, são cortesia de Edgar Libório, usadas com permissão)

   

<< July 2012 >>
Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat
01 02 03 04 05 06 07
08 09 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31




O Brilho das Cinzas

A língua pode renascer em qualquer altura.
O vento agita os ramos altos do cipreste;
no escuro mármore lê-se ainda o meu nome.
Morto, mas subitamente mais vivo,
ouço os vastos barulhos terrestres e o
anúncio subterrâneo da próxima catástrofe.
Rindo-me para os bichos de quem sou a fria
morada, abro e fecho os ossos do rosto
num esgar de gozo. «Em breve o meu corpo
regressará à superfície. Encontrar-me-eis,
ó gente humana, nas idênticas circunstâncias
do Juízo.» Nessa noite, os coveiros notaram
uma insólita agitação no fundo da terra.

Nuno Júdice, in O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1972)


Alguns links:

Atom Fims
Bungle Fever
Charlie "Yardbird" Parker
Dario Mitidieri
Dead Combo
Edgar Libório
Entrance to The Neitherworld
Fat-pie
Gogol Bordello
Festival de Jazz de Valado dos Frades
João Pombeiro
John Coltrane
John Howe
JP Simões
The Kills
Mark Ryden
Menomena
Miles Davis
Morphine (fanzine)
Peter Gric
The Encyclopedia Of Arda
The Tim Burton Collective
The World Of Stainboy

Blog links:

"borderline bipolar"
A Caixa
A liga de Murphy
arco-iris
Atravessando o Inverno
conFusão
dawning dusk
diário de um coma
Do Not Disturb
draeme
draemeX
edgarLIBÓRIO
espiral
exanimatus
groze's awkward world
invers o srevni
Linha Férrea
Maps
nocturno com gatos
o amanhecer das palavras
O Blog Piegas
O Desaparecido
Ossa et Cinera
Ou o poema contínuo
Outleir
Parafernália
Pila de Porco
Poemas da minha Avó
Poeta Vagabundo
polly maggoo
Que Estranha Forma de Vida
Rasgo Sentimental
round's blog
Silent Soul
sombras
Talvez Esperança
Thoughts...
Transformadores
Trilho
viagem de uma janela



Creative Commons License
Todos os textos aqui apresentados estão devidamente protegidos por uma Creative Commons Licence.


Estes direitos estão também assegurados pelo serviço básico de copyright do alojamento na Blogdrive. Qualquer cópia, no todo, ou em parte, de um texto aqui publicado, sem a autorização expressa do autor, infringe as leis de copyright em vigor.



If you want to be updated on this weblog Enter your email here:



rss feed