lonely 1



Sunday, October 18, 2009
paradoxalmente, o jogador aproxima a mão do fogo e apanha a madeira em chamas

a caminho de casa quando abrimos a boca
falamos de ficção científica e do Star Trek
mas da versão com o Patrick Stewart a fazer
de Jean-Luc Picard, não a outra com o William
Shatner no papel de James T. Kirk e de mulheres
e eu concluo amargurado que nenhuma
mulher se apaixonará por mim nos próximos
milénios, entardecerei pouco luminoso
rodeado de palavras tristes. e sobrarei numa
pirâmide ou algo similar mas, por enquanto,
a boca sabe-nos terrivelmente a vinho tinto
e a ouro e neste presente tudo é perfeito,
conjugado para nós no meio do pó da
estrada, às tantas da manhã, com os nomes
dos amores passados escritos nas portas
da casa de banho do bar, juntamente com
números de telefone e endereços, na vaga
esperança de que alguém contacte essas
pessoas para fazer sexo. perdemos o surrealismo
pelo caminho e vamos procurando sem notar
por entre as pedras.

Posted at 05:59 am by groze

R.Joanna
October 20, 2009   12:37 PM PDT
 
Sci fi e mulheres são duas coisas que têm uma relação muito íntima, na minha opinião :)

Poema de futuro amargo, apesar do dourado do presente e do passado.
 

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…lonely gigolo…



Julia Kent - Idlewild



(a imagem do topo e a pequena, de lado, são cortesia de Edgar Libório, usadas com permissão)

   

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O Brilho das Cinzas

A língua pode renascer em qualquer altura.
O vento agita os ramos altos do cipreste;
no escuro mármore lê-se ainda o meu nome.
Morto, mas subitamente mais vivo,
ouço os vastos barulhos terrestres e o
anúncio subterrâneo da próxima catástrofe.
Rindo-me para os bichos de quem sou a fria
morada, abro e fecho os ossos do rosto
num esgar de gozo. «Em breve o meu corpo
regressará à superfície. Encontrar-me-eis,
ó gente humana, nas idênticas circunstâncias
do Juízo.» Nessa noite, os coveiros notaram
uma insólita agitação no fundo da terra.

Nuno Júdice, in O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1972)


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