poema com sugestão fonética/ortográfica de leitura
Queimei minhas mãos em um incêndio
entardecido de imensas primaveras
fora de seu tempo. Queimei minhas sombras,
meus animais, meus gatos, meus insectos, minhas
feridas, minhas fotografias olhando de raspão
meus antepassados. Me alimentei de um mel
indizível, de uma música insubstancial, de uma
voz de poeta adormecido. E todas as primaveras
incendiaram meus dedos e meus cabelos,
e fui um cavalo percorrendo a estepe perene
da gramática.
"Queimei mim-àis mãuss eim um incêindjio
êntárrdjicido dji imeinsáis primávéráis
fora dji seu teimpo. Queimei mim-àis soumbras,
meus ánimais, meus gatos, meus insétos, mim-àis
firidáis, mim-àis fôtôgráfiás ôlhando dji ráispão
meus antj(i)pássáduss. Mi alimentei dji um méu
indjizívéu, dji uma música insubistanciáu, dji uma
voiss dji póétá adôrrmêcido. E tôdáis àis primávéráis
inceindjiaram meus dedos e meus cábêluis,
e fui um cáválo perrcorrêndo a istépi pêréni
da gramátxica."
Posted at 04:13 am by
groze
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groze November 3, 2009 05:45 PM PST
Este texto tinha mais comentários, consigo vê-los na página de edição do blog, mas desapareceram daqui... raios partam a blogdrive, mais estas falhas estúpidas (demasiado) ocasionais... |
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Sandra November 1, 2009 01:29 AM PDT
amei!!!! |
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groze October 26, 2009 06:42 PM PDT
Ainda assim, estou cônscio de ter usado a ortografia do português europeu. Não pode ser um poema em português do Brasil lá com "insecto" pelo meio... e acho, até, que deve haver mais pormenores de construção frásica, que desconheço, mas que me apontam claramente como um "ditador linguístico da metrópole." |
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R.Joanna October 25, 2009 01:13 PM PDT
Instintivamente li como é sugerido pela segunda parte e... uau. Primeira vez que leio um poema brasileiro escrito por um português, creio :) |
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