Entry: baptismo de um albatroz de cinza Friday, July 27, 2012



S.

as pernas ardem um pouco mais abaixo dos
joelhos conforme os teus lábios férteis sussurram
ar contra o tórax destruído. como um tecto
que ruiu, podem-se ver e tocar pequenos
corpos estelares atrás dos ossos, furúnculos,
animais estrangeiros com unhas luminosas,
a dançar ao redor da árvore central do corpo,
a fazer fogueiras rente à coluna vertebral.
os lábios no teu rosto pela primeira vez em
alguém apenas uma ferida feminina, com cheiro
de estames violeta, de nuvens enroladas em
vento azulado. tão teus, os lábios, entreabertos,
com o cheiro, o vazio do cheiro, e as minhas
pernas ardem, o meu fígado, os meus dentes,
as coisas mortas de mim, cabelos, unhas, isso
que está morto mas sobrevive quando morremos
e cresce um pouco, ainda. as tuas pernas ardem
um pouco ainda em torno da minha cabeça e
apertam-me e sufocam-me e quando me lembro
do teu nome não penso em princesas, penso em
serpentes com penugem que esmagam, que
constringem antes de destruirem as presas por
afogamento. as tuas pernas são anacondas que
ardem num amor que não acaba, mas os teus lábios
entreabertos não cheiram a nada remotamente ofídio.

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