Entry: halo #1 Friday, October 02, 2009



tudo o que existe, físico, existe nesse ínfimo
intervalo em que nos apercebemos que
é; como esta vinha, por entre a qual corremos,
as videiras corredores de verde e castanho
com as uvas, com as uvas roxas ou verdes
e o sol, e as arestas dos nossos corpos. mas
quando viramos costas a vinha já não
existe porque não nos apercebemos e deixámos
de a saber, cada pormenor e cada estrutura
botânica
orgânica
dramática

jorrando oxigénio e vida, sol e luz e água. os
meus antepassados que já morreram a pisar
este solo com as tesouras de poda e os cestos,
os cães tão magros correndo na distância das
colinas (que bonita imagem
as colinas) contra o pôr do sol. se servir eu faço
com que as videiras nas encostas ardam de tanta
vida e sobrevivam mesmo quando nos afastamos
e elas deixam de existir, desligam-se,
destroem-se, escondem-se, sementes
para o coração, verdades e mentiras e o que está no meio
de tudo isso. do meu chão repleto, da minha tigela
de leite azedo, existo do alto da minha idade, do
meu nome, mas não me vejo, apenas as mãos, as
pernas, o tronco, consigo tocar o meu rosto
mas quando o vejo é reflectido e por isso
pode ser outro rosto qualquer.

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